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    Ricardo Rodrigues


    mini conto O LAR

    o lar 

    Mossoró achou um sofá na rua. Só tinha um rasgadozinho de nada. Pediu ajuda ao Caveirinha,

    que em troca de uma cachaça, nem reclamou muito.

    Carregaram o sofá até o vão debaixo do metrô da estação Acari. Coube na medida exata.

    Já tinha um ventilador, um radinho de pilha, um quadro da Santa Ceia e o sofá.

    Só precisa agora juntar pra comprar um fogão velho de quatro bocas, porque esquentar comida em lata de sardinha já era...

     



    Escrito por Ricardo Rodrigues às 22:48
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    as vezes

     

    as vezes

     

    as vezes acho que sim

                                          

                                                                             as vezes acho que não

     

    as vezes acho que sim e que não

     

                                        as vezes eu só acho

     

    as vezes eu me acho

                                                                       as vezes eu me acho

                                as vezes

     

                                                               as vezes eu...

                                                            as vezes.

     



    Escrito por Ricardo Rodrigues às 00:34
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    As conseqüências do contorcionismo sexual

    As conseqüências do contorcionismo sexual

     

    Tem coisas na vida que acontecem somente uma vez.

    A garçonete Penélope fez amor na primeira oportunidade que teve com Dejanira, uma contorcionista do Circo Shangrilá.

    Ficou uma semana de cama, cinco meses fazendo fisioterapia e trinta e quatro aplicações de acupuntura. Fora os banhos de ervas fedorentas que ainda continua tomando quando sua avó lhe faz uma visitinha.

    Perdeu o emprego no bar do Manolo e sobrevive com o auxílio doença do INSS.

    Ás vezes cisma que seus rins tremem e sabe que o tempo vai virar quando sente uma leve fisgada na coluna.

    Nunca mais atendeu uma ligação da Dejanira. Ouviu dizer que o circo estava contratando bilheteiras, mas nem titubeou. Prefere continuar desempregada



    Escrito por Ricardo Rodrigues às 21:59
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    AS APARECIDAS

     

    CONTO VENCEDOR DO CONCURSO NACIONAL DE CONTOS PROMOVIDO PELA ACADEMIA BUZIANA DE LETRAS (RJ) EM MAIO DE 2013

                             

                               AS APARECIDAS

     

     

       Revirou o baú e depois de algumas mexidas e procuradas, puxou pelo cabelo a Aparecida. Todas as bonecas se chamam Aparecida por causa de seu próprio nome. Aquela Aparecida puxada pelo cabelo não tinha a perna direita. Tinha a Aparecida lourinha que chora com fome, mas não colocaram pilha e o choro não saía. Também tinha a Aparecida cabelo de fogo, sem bracinhos que tava com o rosto pintado com tinta guache. Já a Aparecida do ano passado ficou sem cabelo e sem roupa numa brincadeira de fogueira de São João.

       Passaram o dia inteiro juntas. Aparecida deu banho na boneca, escovou seus cabelos, passou batom e trocou a roupa por outra, de outra Aparecida. Colocou sapatinho, pintou as unhas de canetinha verde: as suas e as da boneca.

       Almoçaram juntas, viram desenho agarradinhas, brincaram, gargalharam, lancharam, cochilaram... No final do dia, sabe que tem um pedaço de bolo pra ela. Lambuzaram-se juntas. Fizeram tudo juntas! As Aparecidas pareciam únicas.

       Todos os seus aniversários são assim. Aparecida escolhe uma boneca e só vive aquele dia pra ela. Não fala com ninguém, só conversa com a boneca. O que conversa, só a boneca parece entender. E quando chega a noite, olha para o céu, pela janela e fica por alguns instantes sem fazer nada. Absolutamente nada. Fecha os olhos e ali fica. Uma Aparecida agarrada na outra. Depois dá um beijo na boneca e a guarda no baú. E dormem.

       Todos os seus aniversários são assim. Pelo menos nos quarenta e sete anos que o abrigo existe, as freiras relatam a mesma cena. Ninguém sabe a idade da Aparecida ou qualquer outra informação sobre a sua vida. Ninguém. Talvez, quem sabe, só as outras Aparecidas.

                   

     



    Escrito por Ricardo Rodrigues às 19:17
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    ele & ela

     

       Sai do trabalho ás dezesseis horas e fica perambulando pelas ruas da cidade.

       Dorme debaixo da marquise de uma loja de móveis.

       Há nove dias ele não retorna para casa. Tudo da sua filha está lá. Menos ela.

     



    Escrito por Ricardo Rodrigues às 23:56
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    PRÉDIO-COMEDOR-DE-AVIÃO

    foto Ricardo Rodrigues

     

    Hospital Sarah, Barra da Tijuca, Rj, captando energia solar, mas para os fãs de ficção científica bem que podia ser um prédio comedor de aviões...

    P.S. Não sou fã de ficção científica!

     



    Escrito por Ricardo Rodrigues às 21:45
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    JOÃO & MARIA

                             João & Maria

     

      João chega sorrindo. Não adianta muito, foi logo tomando uma bronca dela.

       - Você nem parece que sentiu a minha falta? Demorou uma eternidade pra chegar!

       - Ô, Maria, você esqueceu que eu ando devagar?

       - E você esqueceu que eu não gosto de esperar?

       - Mas eu cheguei, não cheguei? Isso é o mais importante, Maria. Dê cá um abraço apertado...

       Eles se abraçam por longos segundos. João dá um beijo na testa dela.

       - Você tá tranqüila agora?

       - Estou aliviada agora. Nem sei como agüentei tanto.

       - Quer ficar mais um pouquinho?

       - Não. Foram quase noventa anos... Chega, né, João. Agora só quero descansar e mais nada.

       - Então, vamos, Maria.

       João pega na mão dela e juntos, andando lentamente, vão embora passando por um portal iluminado, sem olharem para trás e sem perceberem que os médicos finalmente desistiram de reanimar Maria, cobrindo seu corpo com um lençol azul céu.

     

    P.S. homenagem póstuma aos bisavós de minha Manu.



    Escrito por Ricardo Rodrigues às 20:27
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    O EMPRÉSTIMO

    O empréstimo


    Vésperas de um futebol com pais de alunos.

    Tuninho não conhece o seu pai

    e todo ano fica de fora da brincadeira.

    Sempre culpou a sua mãe por isso.

    Mas foi um dia antes da partida

    é que Tuninho teve uma brilhante idéia.

    Bebeto seu coleguinha de turma

    é filho de um casal gay.

    Assim que chegou na escola,

    correu pro Bebeto

    e fez uma simples proposta:

     

    ME EMPRESTA UM PAI?

     

     



    Escrito por Ricardo Rodrigues às 00:22
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    Pais & Filhos

    Pais & Filhos - fotobjeto.

    inté



    Escrito por Ricardo Rodrigues às 00:15
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    CGB - CINEMA DE GUERRILHA DA BAIXADA

    "tudo começou com uma abelha. uma abelha se entornando na cerveja do fernandão. era um domingo e nós cinco, eu, kaado, j.ulivan, fernando e vitor no bar do seu zé, o pé sujo mais sujo de meriti.
    o vitor com uma câmera na mão. câmera que ganhamos no cine cufa em 2010 e que só recebemos em maio. iriamos fazer uma rifa daquela câmera pra arrumar um qualquer.
    a abelha se jogou na cerveja e o vitor filmou. fizemos uma encenação curta, pegamos um depoimento, o vitor editou e... Surgiu o CGB- Cinema de Guerrilha da Baixada.
    Depois disso veio O nome da mãe, depois fomos expulsos do bar do Zé, daí surgiu a série Caramujo & Seu Pé Sujo, doideiras e tonteiras num botequim, filmado na birosca do nosso ator-produtor J.Ulivan. Enfim, o CGB não esmorece, fomos expulsos de um lugar e firmamos em outro.
    Já temos dezenas de filmes. Outras dezenas de projetos, outras dezenas de festivais e outras dezenas de prêmios e conquistas. E muitas outra aspirações e muitos outros projetos.
    Isso é Cinema de Guerrilha. Esse é o Cinema de Guerrilha da Baixada, derrubando barreiras e desbravando fronteiras através do cinema.
    Parabéns á todos os guerrilheiros da arte!
    Ricardo Rodrigues

    www.cinemadeguerrilha.com.br



    Escrito por Ricardo Rodrigues às 23:50
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    os cleptomaníacos

      Pode

        o

      pobre

        ser

    cleptomaníaco?



    Escrito por Ricardo Rodrigues às 21:30
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    A RABUGENTA

                                     A  RABUGENTA  

     

       Sempre foi uma mulher rabugenta. Em toda a sua vida fora assim e era desta forma que Brigite era conhecida. Sempre se incomodou com isso e para firmar ainda mais a sua fama, xingava todos que diziam que ela era rabugenta. Mas seu filho a amava assim mesmo e chorava muito naquele instante.

       - Mamãe, eu te amo! Eu te amo, mamãe! Desculpe eu nunca ter lhe dito, mas eu te amo muito, mamãe!

       O garoto não pára de repetir que ama a mãe. Brigite só olhava para ele de cara feia e braços cruzados. Quando disseram que iam fechar o caixão, ele desmaiou. A mãe foi para perto dele furiosa da vida.

       - Até na minha morte me envergonhas, seu bórra calças!

       Deu as costas para aquelas minguadas pessoas que foram ao seu funeral e foi embora. Nem ela mesma quis seguir o cortejo de seu próprio corpo. Saiu gesticulando e resmungando sem parar a palavra bórra calças.    

      

        



    Escrito por Ricardo Rodrigues às 10:34
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    algo de errado

    Há algo de muito errado na palavra IMPOSSÍVEL. A sílaba IM!

     

     



    Escrito por Ricardo Rodrigues às 00:15
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    a inconsciência-consciente ou consciência inconsciente?

    "eu tenho a consciência de uma coisa:inconscientemente a inconsciência doutrina a minha consciência!”

     



    Escrito por Ricardo Rodrigues às 09:50
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    O feliz

                                                                 O feliz         

       Colocou um pouco de álcool numa cumbuca de lata vazia e acendeu. Com um espeto de churrasquinho de rua passa uma calabresa pelo fogo até ficar assada. Depois assa um pimentão. Abre o pimentão ao meio e coloca a calabresa dentro. Comeu tudo bem devagar. Saboreou cada mordida como se fosse o jantar mais delicioso do mundo. Ele que sempre viveu rodeado dos melhores chefs e provou diversas maravilhas da gastronomia mundial agora saboreava um pimentão com calabresa como se fosse um Ceviche Peruano ou um Nachos do Monoloco da Guatemala. Se a sua mãe ou sua avó o visse comendo isso... Se a sua mãe ou sua avó o visse naquele instante... Talvez ao invés do espanto, ficassem felizes. Imensamente felizes após dois anos do seu sumiço. Disse que ia para o Egito e veio para o Rio. Elas até hoje o procuram por lá. E ele vive livre pelas ruas do Rio de Janeiro. Não tem dinheiro, mas sua liberdade não tinha mais preço.

       Deitou no chão gelado das rochas. A lata acesa ilumina tudo ao seu redor e o Alto da Boa Vista e o mar do Arpoador fica parecendo para ele, uma tela renascentista. Ele, que fugira de sua mãe e da sua avó, escapou de dois manicômios e cinco abrigos desde que chegou ao Rio, tinha certeza apenas de uma coisa em sua vida, como nunca teve tanta certeza um dia na vida: estava feliz.          



    Escrito por Ricardo Rodrigues às 23:54
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